Meus pais compraram um Apple ][+ em 1981, me condenando assim a não ter namoradas na adolescência. Pulando todas as coisas mirabolantes que eu fiz nos cinco anos que se seguiram a essa compra, pois certamente elas são entediantes ao caro leitor, vamos direto ao assunto.
Tinha muito software legal para o Apple, mas nada era mais legal do que o software da Beagle Bros. Eles faziam utilitários, coisa tipo editores de disco, programas gráficos, e outras miscelâneas mais. O software era legal porque, além de funcionar perfeitamente e não tentar fazer mais do que se propunha a fazer, tinha um senso de humor incrível. Todas as mensagens que apareciam na tela eram engraçadas, até as mensagens de erro. Nem dava pra você achar ruim se não funcionasse. Aliás, você ficava tentando fazer dar erro pra ver as mensagens.
Eu assinava uma revista chamada Creative Computing que vinha com um cartão pra você pedir informações sobre os anunciantes. Mandando um cartão desses, eu passei a receber o catálogo anual da Beagle Bros, que era a correspondência mais esperada do ano lá em casa. O catálogo era engraçadissimo e cheio de snippets de código pra você digitar, quase todos com coisas inúteis tipo fazer o computador mugir. Lendo o catálogo, a gente tinha a impressão que não era uma empresa grande e sim uns dois ou três caras se divertindo em alguma garagem, que na verdade era exatamente o que eles eram. Não tinha nada de "profissional" no catálogo ou nos produtos, só coisas que eram legais e que funcionavam perfeitamente.
Na era da proteção contra cópia de software, nenhum software deles era protegido; eles diziam no catálogo que confiavam nos usuários e que não precisavam disso.
Nunca mais vi uma empresa como a Beagle Bros, sem fachada de "empresa séria" e bem-sucedida mesmo assim. Hoje em dia é tudo sanitizado e sem graça. No orkut isso é cada vez mais verdadeiro - até o famoso "no donut for you" já é só uma lembrança faz tempo.
Vale a pena conferir os quatro primeiros resultados da busca por "Beagle Bros".
quarta-feira, março 11, 2009
segunda-feira, março 02, 2009
Usando Oi 3G com o Android
Depois de muito apanhar, consegui os parâmetros certos para configurar o 3G da Oi, que guardo aqui para futura referência:
Espero que ajude alguém.
- APN: gprs.oi.com.br
- usuário: oiwap
- senha: oioioi
Espero que ajude alguém.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Harry Potter, o salvador da pátria
Me chamou a atenção um comentário do Robson em um share que ele fez sobre o site de rede social baseada em livros chamado skoob (http://www.skoob.com.br): 6 dos 7 livros mais lidos são da série Harry Potter.
Ora, isso certamente diz mais a respeito do público que usa o skoob do que sobre os hábitos da população brasileira em geral... mas será mesmo? Procurando um pouco, achei essa notícia com alguns dados sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. Segundo o artigo, 39% dos leitores do Brasil têm entre 5 e 17 anos. Ora, essa faixa etária (de acordo com dados do IBGE de 2000) compreende apenas cerca de 26% da população brasileira, ou seja, os jovens lêem mais do que os adultos. Tudo bem que muitos deles só lêem porque são obrigados em seus deveres de escola. Mesmo assim... tá lá o Harry Potter em quarto lugar entre os livros mais lidos. Que eu saiba, as escolas não estão obrigando os meninos a lerem Harry Potter.
Não há como se negar que no Brasil se lê menos que na América do Norte ou na Europa. Já vi diversas teorias pra explicar isso, desde o preço dos livros à influência das novelas de TV, mas eu tenho minha própria teoria: ler em português é mais difícil que em outras línguas. Usando o inglês como exemplo, pegue um romance qualquer. O texto escrito é muito semelhante à língua falada. Se eu fosse contar a estória pra você verbalmente, sairia daquele jeito. Em português isso não é verdade. O português formal escrito é bem distante do português coloquial falado, pelo menos no Brasil. Leia esse blog, mesmo. Não é assim que eu te falaria tudo que estou escrevendo aqui. O fato da língua escrita ser distante da falada torna a leitura mais difícil e menos atraente, daí menos leitores.
Pense bem agora que maravilha está sendo para o Brasil o fenômeno Harry Potter. Estamos formando uma geração de jovens que lê por prazer e não por obrigação, que faz fila nas portas das livrarias pra comprar livros no dia do lançamento! Na minha época isso era totalmente desconhecido. As opções de livros escritos para jovens eram extremamente limitadas. Hoje existem seções inteiras nas livrarias só para eles. Com 15 anos eu li Dom Casmurro (está lá na lista dos mais lidos) e Deus me livre, que chatice foi. Jorge Amado pelo menos tinha bastante sexo, mas era chato demais também.
Hoje temos grandes livrarias em shopping centers e online, acesso fácil a livros e, o mais importante de tudo, livros que fazem os jovens gostarem de ler. Quem sabe daqui a uns 20 anos o Brasil não vai ter melhorado muito por conta disso? Nessa época, é bom olhar pra trás e mandar uma pequenina fração do nosso PIB em agradecimento à senhora já bilionária J.K. Rowling.
Aliás, falando nela, vale a pena assistir ao inspirador discurso dela aos formandos de Harvard (em duas partes, abaixo):
Parte 1:
Parte 2:
Ora, isso certamente diz mais a respeito do público que usa o skoob do que sobre os hábitos da população brasileira em geral... mas será mesmo? Procurando um pouco, achei essa notícia com alguns dados sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. Segundo o artigo, 39% dos leitores do Brasil têm entre 5 e 17 anos. Ora, essa faixa etária (de acordo com dados do IBGE de 2000) compreende apenas cerca de 26% da população brasileira, ou seja, os jovens lêem mais do que os adultos. Tudo bem que muitos deles só lêem porque são obrigados em seus deveres de escola. Mesmo assim... tá lá o Harry Potter em quarto lugar entre os livros mais lidos. Que eu saiba, as escolas não estão obrigando os meninos a lerem Harry Potter.
Não há como se negar que no Brasil se lê menos que na América do Norte ou na Europa. Já vi diversas teorias pra explicar isso, desde o preço dos livros à influência das novelas de TV, mas eu tenho minha própria teoria: ler em português é mais difícil que em outras línguas. Usando o inglês como exemplo, pegue um romance qualquer. O texto escrito é muito semelhante à língua falada. Se eu fosse contar a estória pra você verbalmente, sairia daquele jeito. Em português isso não é verdade. O português formal escrito é bem distante do português coloquial falado, pelo menos no Brasil. Leia esse blog, mesmo. Não é assim que eu te falaria tudo que estou escrevendo aqui. O fato da língua escrita ser distante da falada torna a leitura mais difícil e menos atraente, daí menos leitores.
Pense bem agora que maravilha está sendo para o Brasil o fenômeno Harry Potter. Estamos formando uma geração de jovens que lê por prazer e não por obrigação, que faz fila nas portas das livrarias pra comprar livros no dia do lançamento! Na minha época isso era totalmente desconhecido. As opções de livros escritos para jovens eram extremamente limitadas. Hoje existem seções inteiras nas livrarias só para eles. Com 15 anos eu li Dom Casmurro (está lá na lista dos mais lidos) e Deus me livre, que chatice foi. Jorge Amado pelo menos tinha bastante sexo, mas era chato demais também.
Hoje temos grandes livrarias em shopping centers e online, acesso fácil a livros e, o mais importante de tudo, livros que fazem os jovens gostarem de ler. Quem sabe daqui a uns 20 anos o Brasil não vai ter melhorado muito por conta disso? Nessa época, é bom olhar pra trás e mandar uma pequenina fração do nosso PIB em agradecimento à senhora já bilionária J.K. Rowling.
Aliás, falando nela, vale a pena assistir ao inspirador discurso dela aos formandos de Harvard (em duas partes, abaixo):
Parte 1:
Parte 2:
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Trabalhar duro é bom para a sua carreira. Não trabalhar duro também pode ser. Escolha um.
Acabei de ler dois livros interessantes que trazem mensagens complementares. O primeiro é Outliers, do autor Malcolm Gladwell, que também escreveu os muito interessantes The Tipping Point e Blink. Os livros dele são todos muito divertidos porque ele expõe as teorias de forma semelhante a estórias de detetive, contando um caso e depois debulhando o caso minuciosamente até chegar a uma conclusão lógica.
Outliers fala sobre pessoas consideradas de grande sucesso e busca as razões por trás desse sucesso. O autor conclui que o sucesso vem de uma combinação de fatores que incluem o legado cultural do indivíduo, o lugar e época em que nasceu e, acima de tudo, muito trabalho duro. O que se chama de "talento nato" não existe.
Em um dos capítulos, ele teoriza sobre por que os resultados em testes de matemática de alunos de países orientais são muito superiores aos de alunos de países ocidentais. Os dados que ele apresenta são simples e difíceis de refutar: para se aprender matemática, é necessário tempo e esforço; nos países orientais, dedica-se mais tempo aos estudos, inclusive com períodos de férias mais curtos; QED, os orientais aprendem mais matemática.
Gladwell vai mais além, teorizando que o motivo pelo qual no oriente se dedica mais tempo e esforço aos estudos e ao trabalho em geral é o legado cultural vindo do cultivo de arroz, que é extremamente trabalhoso e onde não se tem períodos de folga durante o ano. Tudo isso se traduz no que se observa hoje sobre o trabalho no oriente: muito eficiente, de grande qualidade e produtividade. No entanto, a teoria não explica uma das deficiências do progresso no oriente - o fato da grande maioria das inovações científicas e tecnológicas dos últimos séculos terem acontecido nos países ocidentais. Se o oriente é tão produtivo, por que não é inovador também?
A resposta parece vir no segundo livro, Slack, do Tom DeMarco, que também é autor do clássico Peopleware. Eu gosto do Tom DeMarco porque ele usa o senso comum e alguns dados pra combater as práticas gerenciais esquisitas que viram moda por aí. O ponto principal do livro é que em geral as empresas tentam otimizar o tempo que as pessoas passam trabalhando de forma a maximizar a produtividade e minimizar o tempo "desperdiçado". No entanto, isso impede a mudança e a inovação, pois se todo mundo está trabalhando em tarefas pré-concebidas o tempo todo, não há como reagir a mudanças no meio e nem sobra espaço pra fazer tentativas mal-sucedidas e inovar. Pra que haja mudanças e flexibilidade é necessário haver uma certa folga no trabalho, o "slack" do título. Prazos apertados e pressão por resultados são os inimigos da adaptabilidade.
Parece bom senso, mas também explica o fenômeno da falta de inovação no oriente: muito tempo dedicado ao trabalho e pouco tempo de papo pro ar pensando em jeitos de se trabalhar menos e ficar mais tempo de papo pro ar.
Pra terminar, um dos excelentes comerciais da IBM sobre inovação:
Outliers fala sobre pessoas consideradas de grande sucesso e busca as razões por trás desse sucesso. O autor conclui que o sucesso vem de uma combinação de fatores que incluem o legado cultural do indivíduo, o lugar e época em que nasceu e, acima de tudo, muito trabalho duro. O que se chama de "talento nato" não existe.
Em um dos capítulos, ele teoriza sobre por que os resultados em testes de matemática de alunos de países orientais são muito superiores aos de alunos de países ocidentais. Os dados que ele apresenta são simples e difíceis de refutar: para se aprender matemática, é necessário tempo e esforço; nos países orientais, dedica-se mais tempo aos estudos, inclusive com períodos de férias mais curtos; QED, os orientais aprendem mais matemática.
Gladwell vai mais além, teorizando que o motivo pelo qual no oriente se dedica mais tempo e esforço aos estudos e ao trabalho em geral é o legado cultural vindo do cultivo de arroz, que é extremamente trabalhoso e onde não se tem períodos de folga durante o ano. Tudo isso se traduz no que se observa hoje sobre o trabalho no oriente: muito eficiente, de grande qualidade e produtividade. No entanto, a teoria não explica uma das deficiências do progresso no oriente - o fato da grande maioria das inovações científicas e tecnológicas dos últimos séculos terem acontecido nos países ocidentais. Se o oriente é tão produtivo, por que não é inovador também?
A resposta parece vir no segundo livro, Slack, do Tom DeMarco, que também é autor do clássico Peopleware. Eu gosto do Tom DeMarco porque ele usa o senso comum e alguns dados pra combater as práticas gerenciais esquisitas que viram moda por aí. O ponto principal do livro é que em geral as empresas tentam otimizar o tempo que as pessoas passam trabalhando de forma a maximizar a produtividade e minimizar o tempo "desperdiçado". No entanto, isso impede a mudança e a inovação, pois se todo mundo está trabalhando em tarefas pré-concebidas o tempo todo, não há como reagir a mudanças no meio e nem sobra espaço pra fazer tentativas mal-sucedidas e inovar. Pra que haja mudanças e flexibilidade é necessário haver uma certa folga no trabalho, o "slack" do título. Prazos apertados e pressão por resultados são os inimigos da adaptabilidade.
Parece bom senso, mas também explica o fenômeno da falta de inovação no oriente: muito tempo dedicado ao trabalho e pouco tempo de papo pro ar pensando em jeitos de se trabalhar menos e ficar mais tempo de papo pro ar.
Pra terminar, um dos excelentes comerciais da IBM sobre inovação:
quinta-feira, novembro 20, 2008
14 músicas do U2 que deveriam estar na sua playlist, mas não estão
O problema do U2, comum a muitas bandas de muito sucesso, é que as melhores músicas tocam tanto que perdem o encanto e chega um ponto em que a gente não consegue nem ouvir mais. No entanto, tem várias pérolas menos populares que são sensacionais também. Eis a minha lista, em ordem cronológica:
UPDATE: added "Miss Sarajevo" and links to YouTube for each song.
- Out of Control (Boy)
- MLK (The Unforgettable Fire)
- Bad (The Unforgettable Fire)
- Hawkmoon 269 (Rattle and Hum)
- When Love Comes to Town (Rattle and Hum)
- Ultra Violet (Achtung Baby)
- Acrobat (Achtung Baby)
- Stay (Zooropa)
- The Wanderer (Zooropa)
- Miss Sarajevo (Passengers)
- Miracle Drug (How to Dismantle an Atomic Bomb)
- Love and Peace or Else (How to Dismantle an Atomic Bomb)
- One Step Closer (How to Dismantle an Atomic Bomb)
- Window in the Skies (U2 18)
UPDATE: added "Miss Sarajevo" and links to YouTube for each song.
Melhor que a alternativa
Envelhecer é dureza. Ontem eu assisti "Hellboy 2". Hoje cedo, naturalmente, eu procurei o Serboncini pra comentar.
eu: assisti Hellboy 2 ontem
serboncini: e aí?
eu: achei super legal
eu: mas impagável mesmo é a parte do demônio cantando Neil Diamond
serboncini: :-)
eu: agora não consigo tirar a música da cabeça
eu: vou ter de colocar Neil Diamond no meu ipod
serboncini: vou baixar o Hellboy 2 então
eu: peraí
eu: não foi você quem me recomendou que assistisse?
serboncini: não
eu: putz
eu: a senilidade chegou
Até agora eu não consigo me lembrar quem foi, só consigo ter uma memória vívida do Serboncini (?) me falando que Hellboy 2 era melhor que o 1, na hora do almoço.
Uma vez eu entrei em um estacionamento e um senhor de idade entrou logo atrás, dirigindo outro carro. Eu parei em uma vaga e ele parou lá longe. Fui guardar umas coisas no porta-malas e logo ele chegou passando por mim e comentou:
- Nossa, tinha um monte de vagas aqui e eu nem percebi. Ficar velho é dureza.
Aí ele parou, deu aquela pausa e olhou pra mim:
- Se bem que é melhor que a alternativa.
eu: assisti Hellboy 2 ontem
serboncini: e aí?
eu: achei super legal
eu: mas impagável mesmo é a parte do demônio cantando Neil Diamond
serboncini: :-)
eu: agora não consigo tirar a música da cabeça
eu: vou ter de colocar Neil Diamond no meu ipod
serboncini: vou baixar o Hellboy 2 então
eu: peraí
eu: não foi você quem me recomendou que assistisse?
serboncini: não
eu: putz
eu: a senilidade chegou
Até agora eu não consigo me lembrar quem foi, só consigo ter uma memória vívida do Serboncini (?) me falando que Hellboy 2 era melhor que o 1, na hora do almoço.
Uma vez eu entrei em um estacionamento e um senhor de idade entrou logo atrás, dirigindo outro carro. Eu parei em uma vaga e ele parou lá longe. Fui guardar umas coisas no porta-malas e logo ele chegou passando por mim e comentou:
- Nossa, tinha um monte de vagas aqui e eu nem percebi. Ficar velho é dureza.
Aí ele parou, deu aquela pausa e olhou pra mim:
- Se bem que é melhor que a alternativa.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Privado, pra quê?

Taí dois conceitos antagônicos, conflitantes: "rede social" e "privacidade".
Veja bem, eu não sou contra a privacidade. Tem um monte de coisas que são minhas e que não são da sua conta. Só que eu não levo essas coisas pra uma rede social. Rede social é pra gente ser público. Pra mim, social implica público.
Social não quer dizer "frívolo". Se você está em uma sala de reuniões fechada conversando com seus colegas sobre seu trabalho, isso não tem nada de social. Agora, se você está conversando com os mesmos colegas sobre o mesmo assunto no corredor, isso é social. É social porque se eu estiver passando no corredor e achar a conversa interessante, eu posso entrar nela, ou pelo menos posso ficar ali pescoçando.
Todas esses sites de relacionamentos ficam preocupados em proteger a privacidade dos usuários. Pra mim, se o usuário quer privacidade nos relacionamentos, tem lugares melhores pra se fazer isso. Quer que só aqueles quatro amigos vejam sua fantasia de carnaval? Manda por e-mail.
Eu até vejo lugar pra um site de compartilhamento onde você posta conteúdo e um conjunto seleto de pessoas recebe atualizações pra saber o que você anda fazendo. Um site pra você manter seu endereço atualizado pros seus contatos, postar suas fotos pra sua família ver, e tudo mais. Isso é um site de compartilhamento, não uma rede social.
Uma rede social tem de envolver a descoberta de coisas novas. Todo mundo usa esses sites pra encontrar pessoas que não vêem a muito tempo. Imagine se por questões de privacidade, a gente não possa mais procurar pelas as pessoas?
Os sites de relacionamento de hoje misturam muito o público com o privado. Partes são públicas, outras privadas. Você navega e encontra algumas portas abertas, outras trancadas. É frustrante pra todos.
E se tudo fosse público? E se um site de "redes sociais" fosse sim pra estimular que os seus usuários se exponham da maneira que quiserem? Por que um site desses tem de agradar aos que querem manter seus relacionamentos privados? Existem outros sites pra se fazer isso. Se os sites parassem de querer agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo, poderiam se concentrar muito mais em prover uma experiência excelente pra quem quer ser público.
Durante anos o orkut não teve uma opção sequer para dar privacidade a seus usuários, e nem por isso deixou de ser um sucesso imenso no Brasil. Hoje você pode bloquear suas fotos e seus recados, mas não seu perfil ou seus amigos. Vamos escolher de uma vez por todas: ou tudo público, ou tudo privado. Meio-termo fica com dupla personalidade demais.
Por último, um testemunho pessoal. Todo o sucesso, alegria e realização profissional e pessoal que já tive têm raízes em coisas públicas, sejam elas caracterísiticas ou atos meus. Toda tristeza, amargura e dor vieram de coisas feitas em segredo. Com você é diferente?
quinta-feira, setembro 18, 2008
A melhor rede social
Eu sou completamente viciado em Google Reader. Mais do que e-mail, passo o dia clicando no tab eterno do Firefox pra ver o que tem de novo. A melhor parte, sempre, é ler o que os meus "amigos" compartilharam e também procurar coisas legais pra compartilhar. Não há como negar que eu passo muito mais tempo no Reader do que no orkut.
Só que o Reader é um leitor de feeds, certo? Não é uma rede social de verdade. Não dá pra fazer praticamente nada das coisas que a gente faz nas redes sociais, como mandar mensagens pros amigos, participar de grupos de discussão ou postar fotos e vídeos. Acontece que, pensando objetivamente, hoje o Reader é a principal maneira pela qual eu me comunico, interajo, e aprendo mais sobre os meus amigos online. Vou explicar.
Pelo Reader eu recebo o conteúdo gerado por diversas pessoas que eu acho interessantes. Algumas delas eu não conheço pessoalmente e provavelmente nunca vou conhecer, porque tem muito mais gente interessada no conteúdo delas do que elas são capazes de interagir. São os "famosos", como o economista Tyler Cowen que publica o excelente blog Marginal Revolution. Outras são pessoas que eu conheço e que também geram conteúdo, como o blog do Kenji, Talk is Cheap.
Aí as coisas começam a ficar mais sociais. Quando eu acho algum conteúdo legal sobre o qual eu gostaria de discutir com meus amigos, eu aperto o botãozinho de "share". Nesse momento, várias coisas mágicas podem acontecer:
- meus amigos ficam sabendo que eu estou interessado nesse assunto, o que revela a eles um pouco mais sobre minha personalidade;
- meus amigos lêem aquele conteúdo sobre uma perspectiva diferente, a de "por que o Torsten compartilhou isso?" - essa atitude muda a forma como eles absorvem o conteúdo;
- meus amigos acham legal e também compartilham com os seus amigos, espalhando as notícias
- eu vejo que meus amigos também compartilharam e me sinto validado, feliz e orgulhoso por ter compartilhado algo que eles também gostaram.
Ontem choveu granizo. Em uma rede social, ou por e-mail, eu poderia mandar uma mensagem pros meus amigos dizendo "A Guta teve de correr lá fora e jogar um edredon em cima do carro pra ele não amassar todo como em 2005". No Reader eu faço a mesma coisa, mas melhor: na internet vai haver alguma notícia interessante falando sobre o granizo e comparando com o toró de 2005, dando números. Eu então compartilho essa notícia e acrescento o mesmo comentário acima. A diferença é que meu comentário vem acompanhado de uma riqueza de informações que alimentam e acrescentam detalhes ao que eu quero dizer.
O Reader também serve pra compartilhar qualquer conteúdo que eu crie. É só eu postar minhas fotos no Picasa ou Blogger e compartilhar o feed que vem de lá, e pronto: meus amigos vêem minhas fotos.
Ao Reader faltam muitas coisas, como a possibilidade de se criar conversas em torno dos comentários, de organizar seu conteúdo, de compartilhar só com pessoas específicas. Não dá pra mandar mensagens individuais, nem pra postar seu próprio conteúdo. Não dá pra gerenciar sua rede de amigos direito. Mesmo assim, minhas interações socias pelo Reader são muito mais ricas do que as que tenho em qualquer outro site.
Vou repetir em itálico: minhas interações socias pelo Reader são muito mais ricas do que as que tenho em qualquer outro site.
Eu sei que o Cabrito gosta de videogames. Sei o Kenji gosta de gatos e de cozinhar. O Ademir curte samba e choro, o Serboncini lê os mesmos blogs que eu. Quanto a gente se vê "ao vivo", a gente sempre tem muito assunto pra conversar. Minhas relações com todos eles são mais ricas por causa do Reader.
Ah, dirá você, incrédulo, mas isso é porque você é um geek, com amigos geeks, e só geeks usam o Reader. Pessoais normais não usam.
Bullshit, digo eu. Pode ser sim que pessoas normais não usem, mas deveriam usar. Veja bem, uma rede social comum é baseada em geração de conteúdo pelos usuários: mensagens, fotos, vídeos, e por aí vai. Algumas pessoas geram muito mais conteúdo do que outras, o que é normal. Os limites da rede, no entanto, estão na capacidade das pessoas de gerarem conteúdo. A maior parte do conteúdo é ruído. Quando surge conteúdo interessante, ele se propaga rapidamente pela rede.
No Reader, além dos geradores de conteúdo que participam da rede, temos os achadores de conteúdo que trazem conteúdo de alta qualidade da internet para dentro da rede. Esse conteúdo, quando compartilhado, alimenta as relações sociais de uma forma muito mais rica. A rede não precisa de muitos "achadores". Pouca gente precisa saber o que é um feed; só precisam saber propagar o conteúdo - um único clique.
Achei a melhor rede social de todas, sem a menor sombra de dúvida. Eu achava que eu não participava de redes sociais, mas eu estava enganado: eu sou viciado em uma delas e não consigo imaginar minha vida sem ela.
Que dia a gente vai colocar o Reader dentro do orkut, mesmo?
quinta-feira, setembro 11, 2008
Como dar uma palestra bacanérrima
Coloquei online os slides da minha meta-palestra sobre como dar palestras. O Google Presentations realmente cresceu e virou gente grande, ficou bacana. Veja em:
http://docs.google.com/Presentation?id=dfpch9ks_30gjm3dtdf
Dá também pra fazer embed, olha que legal:
http://docs.google.com/Presentation?id=dfpch9ks_30gjm3dtdf
Dá também pra fazer embed, olha que legal:
segunda-feira, setembro 08, 2008
Mulheres na informática - desisto
Eu era o maior partidário do incentivo às mulheres na informática. Sempre apoiei todo tipo de iniciativa pra trazer mais mulheres para a computação. Estava até montando um programa de visitas a escolas de segundo grau pra dar esse tipo de incentivo. Fazia isso porque acredito realmente que as empresas de informática estariam melhores se tivessemos mais mulheres. Elas trazem perspectivas e formas de trabalho diferentes que tornam tudo mais saudável.
Eu continuo acreditando nisso, mas outro dia me toquei em outro ponto. Tudo bem, eu acredito que seria melhor pra mim e pra empresa onde eu trabalho se houvesse mais mulheres trabalhando nas nossas equipes. Mas seria melhor pra elas? Sinceramente, acho que não.
A informática ainda é muito discriminatória. Os ambientes de trabalho não são agradáveis para as mulheres, chegando a serem hostis. Existe um culto ao geek que compila o kernel do Linux antes do café da manhã, depois de virar a noite no Wii. O bom profissional é aquele fuçador, virador, que implementa emuladores interessantes nas horas vagas. Eu não conheço muitas mulheres com esse perfil.
O problema maior, no entanto, nem é esse. É que, secretamente, muitos homens ainda acham que as mulheres não são programadoras tão boas quanto eles. Eu mesmo conheço vários. Não dá pra trabalhar em um ambiente onde já se sai em desvantagem e é preciso constantemente provar às pessoas que elas estão erradas a seu respeito. Eu não quero que minhas filhas façam computação.
Se tiver algum homem me lendo que nunca pensou que, na média, os homens são melhores programadores do que as mulheres, por favor me corrija. Mas seja honesto.
Eu continuo acreditando nisso, mas outro dia me toquei em outro ponto. Tudo bem, eu acredito que seria melhor pra mim e pra empresa onde eu trabalho se houvesse mais mulheres trabalhando nas nossas equipes. Mas seria melhor pra elas? Sinceramente, acho que não.
A informática ainda é muito discriminatória. Os ambientes de trabalho não são agradáveis para as mulheres, chegando a serem hostis. Existe um culto ao geek que compila o kernel do Linux antes do café da manhã, depois de virar a noite no Wii. O bom profissional é aquele fuçador, virador, que implementa emuladores interessantes nas horas vagas. Eu não conheço muitas mulheres com esse perfil.
O problema maior, no entanto, nem é esse. É que, secretamente, muitos homens ainda acham que as mulheres não são programadoras tão boas quanto eles. Eu mesmo conheço vários. Não dá pra trabalhar em um ambiente onde já se sai em desvantagem e é preciso constantemente provar às pessoas que elas estão erradas a seu respeito. Eu não quero que minhas filhas façam computação.
Se tiver algum homem me lendo que nunca pensou que, na média, os homens são melhores programadores do que as mulheres, por favor me corrija. Mas seja honesto.
O voto probabilístico
Muita gente sabe que eu não gosto de democracia e vivo procurando alternativas. A minha preferida é de ter um ditador que é escolhido por sete santos incorruptíveis que se reunem todos os anos pra decidir se o ditador deve ou não ser executado. Não consegui muitos adeptos a essa ainda. Eis minha próxima alternativa: o voto probabilistico.
Funciona assim: todo mundo vota em seus candidatos, normalmente. Ao final das eleições, coloca-se todos os votos no mesmo balaio e tira-se um voto, aleatóriamente. Esse é o vencedor das eleições. Se tiverem mais vagas, continua-se tirando votos do balaio. Pronto.
Essa abordagem tem inúmeras vantagens:
Funciona assim: todo mundo vota em seus candidatos, normalmente. Ao final das eleições, coloca-se todos os votos no mesmo balaio e tira-se um voto, aleatóriamente. Esse é o vencedor das eleições. Se tiverem mais vagas, continua-se tirando votos do balaio. Pronto.
Essa abordagem tem inúmeras vantagens:
- acaba com a "tirania da maioria" em que as minorias nunca têm representantes eleitos;
- na média, mantém os desejos da maioria, pois os candidatos mais votados têm mais chances de vencer;
- introduz um elemento de caos e aleatoriedade que impede que uma mesma linha de pensamento domine um estado por anos a fio;
- aumenta o valor do voto do indivíduo, pois seu voto dá a seu candidato uma chance real de vencer, mesmo que ele esteja em último lugar nas pesquisas.
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